{"id":2144,"date":"2012-02-10T17:36:23","date_gmt":"2012-02-10T17:36:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fetiasp.com.br\/site\/?p=2144"},"modified":"2013-09-04T17:37:54","modified_gmt":"2013-09-04T17:37:54","slug":"fao-reve-demanda-por-alimentos-ate-2050-para-baixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fetiasp.com.br\/site\/?p=2144","title":{"rendered":"FAO rev\u00ea demanda por alimentos at\u00e9 2050 para baixo"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<p>O mundo vai precisar de menos alimentos at\u00e9 2050, contrariando as estimativas vigentes. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na demanda global, que crescer\u00e1 a taxas bem menores do que vinha sendo previsto. Foi o que afirmou ontem o diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), Jose Graziano da Silva, surpreendendo mais de 200 executivos do agroneg\u00f3cio reunidos em Genebra, Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2009, a FAO havia estimado que o mundo precisaria aumentar a produ\u00e7\u00e3o global de alimentos em 70%, tomando como base a m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o entre 2005 e 2007, para alimentar 9,1 bilh\u00f5es de pessoas em 2050 &#8211; 2 bilh\u00f5es a mais do que a atual popula\u00e7\u00e3o do planeta. Nada menos que 90% desta expans\u00e3o deveria vir de maior produtividade, colheitas intensivas e incremento de 10% do uso da terra.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia da ONU refez os mesmos c\u00e1lculos, por meio de novas informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, e concluiu que a necessidade de incrementar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola at\u00e9 2050 ser\u00e1 por volta de 60%, tanto para uso alimentar como para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Conforme Graziano, esta conclus\u00e3o reflete pelo menos tr\u00eas fatores. Primeiro, o crescimento populacional ser\u00e1 menor e haver\u00e1 decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses e regi\u00f5es, incluindo Jap\u00e3o, China, Brasil e Europa.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, mais pa\u00edses e grupos populacionais dever\u00e3o atingir, gradualmente, um n\u00edvel de consumo de alimentos que, por sua vez, encontrar\u00e3o pouco espa\u00e7o para a expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Terceiro: ao mesmo tempo em que a demanda por alimentos pode aumentar em certos pa\u00edses, muitos outros continuar\u00e3o a ver suas popula\u00e7\u00f5es aumentarem e permanecer\u00e3o com baixas rendas ou pobreza significativa ainda por um longo per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;O aumento da renda per capita, principalmente nos Brics [Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul] \u00e9 menor do que o previsto por causa da crise. Menos renda significa menos consumo&#8221;, afirmou Graziano. &#8220;Al\u00e9m disso, houve redu\u00e7\u00e3o de metas de uso de biocombust\u00edveis na Europa, o que tamb\u00e9m explica a nova proje\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o brasileiro.<\/p>\n<p>Mas os participantes do semin\u00e1rio sobre &#8220;como alimentar o mundo&#8221;, realizado em Genebra, pareceram pouco convencidos. Paul Bulcke, presidente da Nestl\u00e9, um dos patrocinadores do evento, continuou falando da necessidade de aumentar a produ\u00e7\u00e3o mundial em at\u00e9 90% para atender \u00e0 demanda. O executivo insistiu que o aumento da popula\u00e7\u00e3o mundial, a escassez de \u00e1gua e o desperd\u00edcio de alimentos ou seu uso na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis &#8211; em refer\u00eancia ao etanol a base de milho dos EUA &#8211; t\u00eam impactos sobre a seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>&#8220;O pessoal se assustou [com a nova estimativa], mas 60% de aumento na produ\u00e7\u00e3o significa muito&#8221;, observou Graziano, notando que as terras dispon\u00edveis para agricultura s\u00e3o poucas e situadas basicamente na Am\u00e9rica do Sul e nas savanas africanas.<\/p>\n<p>Para o diretor da FAO, os pa\u00edses do Mercosul continuar\u00e3o a ser o celeiro do mundo e a &#8220;grande restri\u00e7\u00e3o ao bloco \u00e9 o com\u00e9rcio internacional e os fertilizantes, que s\u00e3o caros e quase todos importados&#8221;, disse. Ele reiterou que o mundo passar\u00e1 por uma d\u00e9cada de pre\u00e7os elevados de alimentos e a grande preocupa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a volatilidade, que n\u00e3o favorece o produtor nem o consumidor.<\/p>\n<p>Graziano sinalizou, tamb\u00e9m, os limites da FAO na luta contra a fome: o \u00f3rg\u00e3o disp\u00f5e de apenas US$ 1 d\u00f3lar para cada pessoa mal nutrida no mundo, e elas somam 1 bilh\u00e3o atualmente. Por isso ele refor\u00e7ou a defesa pela redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos em toda a cadeia produtiva, do campo ao consumo. No Brasil, essas perdas s\u00e3o estimadas em 40%.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas acham que sabem comer, mas n\u00e3o \u00e9 verdade&#8221;, disse. Estima-se que a redu\u00e7\u00e3o global do desperd\u00edcio em 25% seria suficiente para alimentar 500 milhoes de pessoas por ano sem a necessidade de ampliar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 mar\u00e7o, a FAO dever\u00e1 aprovar\u00e1, ainda, um c\u00f3digo de conduta para reduzir investimentos estrangeiros na aquisi\u00e7\u00e3o de terras, mas as normas ser\u00e3o volunt\u00e1rias e os 190 pa\u00edses-membros poder\u00e3o adot\u00e1-las ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: \u00a0Valor Econ\u00f4mico\/Avicultura Industrial<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo vai precisar de menos alimentos at\u00e9 2050, contrariando as estimativas vigentes. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na demanda global, que crescer\u00e1 a taxas bem menores do que vinha sendo previsto. 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