“A falta de capacitação contribui muito para os acidentes de trabalho”, destacou Melquíades de Araújo, presidente da Fetiasp (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de São Paulo) durante a manifestação sobre o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho, realizada ontem (dia 28), pela Força Sindical na sede da Fetiasp.
O sindicalista diz não entender o quê leva o Ministério Público não correr atrás de pagamento de salário justo para os trabalhadores e também para fazer valer medidas de prevenção para evitar acidentes de trabalho. Segundo Araújo, na área da alimentação também ocorrem acidentes, o que levou a Federação a criar a ATRA Associação em Defesa dos Trabalhadores do Ramo da Alimentação do Estado de São Paulo e Vitimas de Acidente e Moléstias Profissionais). Na opinião de Araújo, cada categoria deveria criar suas associações para ter uma espécie de levantamento da área de saúde e segurança de seus setores para depois debaterem na Central.
Neuza Barbosa, diretora da Federação, contou que neste ano ocorreu uma morte na base do sindicato, do qual é diretoria em Sorocaba. “É terrível enfrentarmos situações como estas, com os trabalhadores desesperados com a morte do companheiro”, disse.
A Fetiasp aderiu ao Protocolo de Cooperação Técnica com Tribunal Superior do Trabalho e outras autoridades para programas de prevenção de acidentes do trabalho e saúde no trabalho. O objetivo é a prevenção de acidentes do trabalho e o fortalecimento de uma política destinada à preservação da saúde na prestação de serviço.
Responsabilidade
“A responsabilidade pelas mortes e acidentes do trabalho é de todos e devemos fazer a nossa parte para acabar com esta situação dramática”, declarou Luciano Valadares, diretor do Sindicato Químicos de Santos, indicado para abrir a manifestação na sede da Fetiasp. O evento foi apresentado por Edson Bicalho, presidente do Sindicato dos Químicos de Bauru.
A secretária da Mulher da Central, Maria Auxiliadora dos Santos, e Neuza Barbosa, diretora da Fetiasp, destacaram os problemas que atacam as mulheres, como LER/DORT e que o estresse e a depressão já são realidades no mundo do trabalho. Já os sindicalistas Carlos Amorim (Uita); Guido Moretti (Uil); Plinio Sarti (Aposentados); ); Arnaldo Gonçalves, secretário de Saúde e Segurança da Força Sindical; João Scaboli, secretário-adjunto de Saúde e Segurança no trabalho destacaram a importância da manifestação.
Alberto Almazan, secretário-geral do Diesat (Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho), afirmou que em maio será realizada a Semana de Saúde do Trabalhador, como ocorreu há 35 anos. Já Luís Carlos Oliveira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos SP, obervou que o Brasil avançou na elaboração das Normas Regulamentadoras (NRs), mas elas não são cumpridas. Falta ação do Ministério do Trabalho e Emprego.
Sergio Luiz Leite, Serginho, presidente da Fequimfar, cobrou mais ação dos fiscais do Ministério. O fiscal demorou 20 dias para comparecer a uma empresa onde o trabalhador teve o braço mutilado, ressaltou.
João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical, lembrou a ação dos trabalhadores desde o início do movimento sindical. Hoje, a Central conta com uma secretaria nacional de Saúde e Segurança e os sindicatos com departamentos para cuidar desta área.
Nove mortes diárias
Depois de ouvir os depoimentos dos dirigentes sindicais durante a abertura da manifestação, a juíza Alcina Maria Maria Fonseca Beres, da 2ª Região (Campinas) observou que a realidade exposta pelos dirigentes estava muito próxima daquela vivida por ela em seu trabalho. Por exemplo, casos de trabalhador com 22 anos que tem a mão mutilada e um lixeiro que recebe 40 minutos de capacitação e sofre acidente na mão.
A declaração da juíza foi feita hoje na manifestação sobre o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho, na Fetiasp.
Em 2012 ocorreram nove mortes diárias no Brasil decorrentes de acidentes e doenças do trabalho, segundo a juíza Alcina. Para ela, este é um quadro de guerra civil que precisa acabar.
A juíza elogiou o convênio firmado entre o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e a Força Sindical para minimizar a realidade dramática dos trabalhadores que sofrem acidentes e doenças do trabalho. Segundo ela, desde 2005, o TRT decide sobre indenizações nesta área e resolveu capacitar os juízes para desempenhar suas funções nesta área.
Já o médico Koshiro Otani defendeu a criação de um poupatempo para conceder auxílio acidentário. “Hoje, o trabalhador sofre um acidente de trabalho e é atendido por um médico particular ou de hospital público. Recebe um atestado médico por um prazo determinado. 16 dias depois do acidente, o trabalhador passa a receber o seguro pela Previdência.Mas, só dois meses depois, consegue ser atendido pelo médico do INSS, que carimba o atestado fornecido pelo médico que o atendeu. É um processo demorado e o poupatempo resolve o problema”, declara.
Fonte: Imprensa Fetiasp



















