Esta é a reivindicação dos 185 dirigentes sindicais oriundos de diferentes regiões do País, que debateram durante dois dias, os problemas causados pela Orientação Jurídica (OJ) 419 na vida dos trabalhadores da indústria da alimentação.
Esta Orientação elaborada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) para resolver uma disputa das categorias dos motoristas sobre prescrição acabou atingindo os trabalhadores da alimentação que, em casos como de usina de açúcar e álcool, poderão ser enquadrados como rurais.
“A medida pode atingir 150 mil trabalhadores apenas no Estado de São Paulo”, diz Melquíades de Araújo, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (Fetiasp).
“Não estamos menosprezando os rurais, mas os trabalhadores não querem a mudança de base até por uma questão de status”, explica Araújo. “Vamos nos reunir com os ministros do TST para sensibilizá-los para alterar a OJ”, declara.
As reivindicações dos dirigentes estão contidas na Carta de Piracicaba, que será enviada às centrais sindicais, federações, sindicatos, aos ministros do Tribunal Superior do Trabalho, aos desembargadores dos Tribunais Regionais do Trabalho, presidentes e lideranças dos partidos, da Câmara e do Senado, aos procuradores da Conalis (Conselho Nacional de Liberdade Sindical), às chefias das procuradorias regionais, ao procurador geral do Ministério Público e aos componentes do Conselho Nacional do Ministério Público do Trabalho, além da presidente Dilma.
No documento, os sindicalistas reivindicam que as centrais sindicais adotem como meta prioritária enfrentar a tentativa do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho para anular a autonomia duramente e tardiamente conquistada.
Os dirigentes sindicais decidiram também mobilizar os trabalhadores nos locais de trabalho e nas suas imediações para que exijam o reconhecimento de sua representação sindical no plano dos industriários do grupo da alimentação. Se for preciso vão fazer plebiscitos e greves.
Fânio Luís Gomes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Piracicaba, está confiante. “Temos que fazer a vontade dos trabalhadores que não concordarão com o novo enquadramento sindical. Aí temos que resolver a situação”, declara.



















