Notícias — 03 de agosto de 2011

Cerca de 80 mil trabalhadores tomaram as ruas de São Paulo hoje (dia3) para reivindicar a aprovação da pauta trabalhista, que é um conjunto de medidas para beneficiar a classe trabalhadora, como a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, fim do fator previdenciário e regulamentação da terceirização.

O 1º vice-presidente da Força Sindical e presidente da Fetiasp (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de S. Paulo), a manifestação foi importantíssima para mostrar à sociedade, aos empresários e governos que os trabalhadores querem medidas para melhorar sua qualidade vida, usufruir de melhor distribuição de renda e se aposentar com dignidade.

Araújo participou da caminhada ao lado de seus companheiros da alimentação que saíram de suas cidades à noite para chegar à Capital pela manhã. “Todos dispostos a mostrar que não têm medo de lutar por seus direitos”, disse. Eram 2.500 trabalhadores de várias cidades do Estado de S. Paulo.

“Os trabalhadores deram um exemplo de organização e demonstraram que estão dispostos a lutar por suas reivindicações”, disse Paulo Pereira da Silva, Paulinho, presidente da Força Sindical,  que encerrou a manifestação no pátio da Assembléia Legislativa pedindo aos  participantes para cantar um trecho do Hino da Independência. “Devemos nos mobilizar e lutar para que nossas reivindicações sejam atendidas”, enfatizou Paulinho.

O presidente da Força Sindical agradeceu ao governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab pelo apoio dado ao ato pela Polícia Militar a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Ele alertou a presidente Dilma que a atual situação econômica do País está “muito ruim com juros altos, os produtos estrangeiros inundando o mercado e concorrendo com os produtos brasileiros, o que resulta em perda de empregos no Brasil”.

O ato, declarou Paulinho, fechou a série de manifestações realizadas em todas regiões do País – Centro-Oeste (Brasília), Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. O objetivo foi sensibilizar a sociedade, o governo e o Congresso Nacional da importância de se aprovar a Agenda Unitária da Classe Trabalhadora.

Os ônibus começaram a chegar na Capital de madrugada, foram para o Anhembi e de lá, escoltados pela CET,  para a Praça Charles Muller, no Pacaembu. As categorias de São Paulo, do interior do Estado e de outros estados levaram as bandeiras das centrais e de seus sindicatos. Depois de cantarem o Hino Nacional caminharam gritando palavras de ordem, como “40 horas já”. A passeata saiu do Pacaembu por volta das 10h30 e chegou à Assembleia às 12h15.

Barulho

“No 2º semestre muitas categorias negociam as Convenções Coletivas e, não tenham dúvida, vão fazer muito barulho”, afirmou Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos SP e vice-presidente da Central. Sobre a política industrial e a desoneração da folha de pagamentos divulgada pela presidente Dilma, Miguel declarou que a medida foi tomada sem negociar com os trabalhadores. “Não podemos permitir que quebrem a Previdência Social. Queremos câmaras setoriais”, destacou.

João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical, ressaltou que as centrais compreenderam que é preciso a união de todos para pressionar o governo  – Poderes Executivo e Legislativo – para aprovarem as medidas que resultem em melhor qualidade de vida e distribuição de renda para a classe trabalhadora.

O vice-presidente da Força Sindical e presidente do Sintracon-SP, Antonio de Sousa Ramalho, elogiou a manifestação. Ele informou que levou 11 mil trabalhadores ao ato. A vice-presidente da Força Sindical e presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, Eunice Cabral, defendeu a necessidade de o País ter Trabalho Decente.

“O que aconteceu hoje foi histórico”, disse Nair Goulart, presidente da Força Bahia e presidente-adjunta da CSI (Confederação Sindical Internacional). “São cinco centrais e movimentos sociais unidos em defesa de um Brasil com mais igualdade e distribuição de renda”. 

Costas

“Se a presidente Dilma achar que vai fazer um bom governo virando as costas para os trabalhadores está enganada. O povo quer a continuidade das mudanças que começaram em 2002. Há 15 anos está no Congresso Nacional a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas e até agora não foi votada. Considero que precisamos pensar em fazer greve geral”, disse Wagner Gomes, presidente da CTB.

Para Ricardo Path, presidente da UGT,  os salários continuam baixos, continuamos trabalhando muito

FONTE: Imprensa Fetiasp/Imprensa F.Sindical

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